Resenha "O papel de parede amarelo"


Classificação


Informações do livro
Titulo: O papel de parede amarelo
Autor/a: Charlotte Parkins Gilman
Editora: Grupo Editorial Recor Selo José Olympio
Gênero: Conto
Livro enviado para resenha em parceria Grupo Editorial Record.


Este clássico da literatura feminista foi publicado originalmente em 1892, mas continua atual em suas questões. Escrito pela norte-americana Charlotte Perkins Gilman, ele narra, em primeira pessoa, a história de uma mulher forçada ao confinamento por seu marido e médico, que pretende curá-la de uma depressão nervosa passageira. Proibida de fazer qualquer esforço físico e mental, a protagonista fica obcecada pela estampa do papel de parede do seu quarto e acaba enlouquecendo de vez. Charlotte Perkins Gilman participou ativamente da luta pelos direitos das mulheres em sua época e é a autora do clássico tratado ”Women and Economics”, uma das bíblias no movimento feminista. Esta edição de O papel de parede amarelo, que chega às livrarias pela José Olympio, traz prefácio da filósofa Marcia Tiburi.

Olá amigos!
Desculpe pela ausência semana passada, estava com sinusite, mas agora estou 100% melhor, e preparando várias resenhas para vocês! 


Não podemos deixar de notar a complexidade em uma publicação tão pequena esteticamente, mas tão grande no assunto abordado. Eu particularmente nunca tinha exposto nada sobre feminismo em minhas resenhas, porém fica difícil de ignorar um assunto de deveria ser visto com mais respeito e parar com tanto radicalismo, como leio nas redes sociais. Deve ser por esse motivo que nunca expus publicamente o que acho, porque nesse mundo totalmente globalizado, cresceu de forma errada e descontrolada a mídia sensacionalista onde o assunto é visto como mimimi pelos demais.




Nesse livro Charlotte Perkins Gilman uma escritora norte-americana, traz uma história que reflete a sua própria vida, uma mulher que é oprimida pelo marido e se vê forçada ao confinamento para uma tentativa frustrada pela cura da sua depressão nervosa. Mas esse confinamento somente agrava a situação psicológica dessa personagem sem nome, ela passa dias trancada em um quarto infantil com anormal papel de parede amarelo que passa a ter vida em sua mente já perturbada. Os dias passam, seu marido aparece de vez em quando somente para diminuir a sua situação, subestimando a sua sanidade e usando palavras como menina ou pobrezinha para diminuir seus sentimentos.

De forma delirante sua sanidade é consumida, esse papel de parede se torna cada dia mais um fantasma real, ânsia de sair daquele lugar era cada dia mais desejada por ela. Mas seu marido iria até o fim para sua "melhora" quando na verdade estava deixando-a ainda mais paranoica.


"Parece uma mulher inclinada para a frente, rastejando em segundo plano. Não gosto disso nem um pouco. Fico imaginando... Começo a pensar... Como seria bom de John me levasse embora daqui."



Essa narrativa deixa o leitor completamente abismado com as metáforas que a autora usa para ilustrar o total sofrimento do condicionamento dessa personagem. Essa obra foi negligenciada por muito tempo, a primeira publicação é datada originalmente em 1892, mas somente nos anos 70 a obra foi redescoberta pelo movimento feminista norte-americano se tornando a voz do feminismo.
Charlotte Perkins foi ativa na luta pelos direitos feminismo em sua época até a sua morte em 1935. É impossível ficar indiferente lendo essa obra, e sentir todos os momentos de reflexão dessa personagem, os momentos de perturbação se tornam cada vez mais frequente e palpável, o que era um simples desgastado papel de parede se torna o completo refúgio de sua insanidade.

Fazendo uma relação com um livro que li no mês de março da Editora Arqueiro com o título Mulheres em ebulição, aborda bem o caso que Marcia Tiburi realiza a introdução de O Papel de parede amarelo, sobre a Histeria como uma doença feminina é a ideologia do homem.


Imagem retirada da internet.

"Pobrezinha, disse John, abraçando-me com força. Pode ficar doente o quanto quiser! Mas agora vamos dormir, para podermos aproveitar as horas de sol. Falaremos sobre isso pela manhã. Então você não quer ir embora? Perguntei triste."

É completamente instigante a leitura desse livro, a intensidade dos poucos momentos com esse personagem até seu triste destino, reflete nos tempos de hoje, onde a luta incessante do respeito e espaço das mulheres no mundo ainda está longe de ter fim, seja na imposição da época mais antiga até os dias atuais, onde somos alvo de extrema opressão pela sociedade para agarrar em um papel visto erroneamente sendo executado pelo sexo feminino.


Esse fático papel de parede amarelo, ainda está enraizado nos dias atuais, por isso é difícil ficar indiferente ao que acontece por debaixo dos panos, a “aceitação” que a sociedade mostra de que as mulheres são aceitas em todos os ramos da vida ainda é um tabu. Lutamos para ter um futuro melhor e digno, o direito de ir e vir sem sofrer assedio, sem sofrer discriminação, sem ser subestimada a não conseguir realizar uma tarefa mais complexa.

Um conto totalmente reflexivo, quantos mulheres foram mal interpretadas e incompreendidas em épocas mais obscuras, por terem pensamentos mais modernos, e que eram vistas como ameaça pela sociedade que sempre teve uma criação, onde opinião ou imposição pelo sexo feminino não era bem visto. Quantas mulheres sofrerão presas a tratamentos em clinicas psiquiatras sendo totalmente esquecidas e silenciadas.



Em uma conversa com meu filho de 17 anos, eu indiquei esse livro para leitura, para juntos conseguir compreender a luta do feminismo nos dias atuais. Ele ficou impressionado de como essa luta é complicada e vista com menosprezo por certas pessoas. Mas que se todos se conscientizarem, teremos a esperança da libertação desse papel de parede amarelo, onde ele somente tampa as verdadeiras emoções de uma mulher.


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