Like a Rory Gilmore: precisamos falar sobre "Skam"

Não se sinta culpado (a) se nunca ouviu falar de Skam. Essa é a série mais popular e ao mesmo tempo mais alternativa de que você vai ouvir falar. E não é à toa. De produção da rede norueguesa NRK (uma espécie de BBC da Noruega), o site da série tem uma média de acessos semanal de 1,2 milhões em um país de apenas 5 milhões de habitantes.





A trama traz um retrato da vida de um grupo de jovens na prestigiada escola Hartvig Nissen, em Oslo, e cada temporada é contada de um ponto de vista de um personagem diferente. Portanto, os protagonistas mudam, e as perspectivas são totalmente diferentes. A primeira temporada focou em Eva, uma garota sozinha que está tentando lidar com o fim traumático de uma amizade e com o namorado; a segunda temporada conta a história de Noora enquanto ela se descobre e se apaixona por alguém que nunca pensou ser seu tipo; a terceira traz a intimidade de Isak ao assumir sua sexualidade; e a quarta traz os conflitos de Sana, que tenta conciliar sua religião com os impulsos de ser adolescente.
                        

Olhando assim, podemos confundir Skam com qualquer outra série que se utiliza dessa fórmula e se volta para o público jovem com a proposta de retratar todos os problemas da juventude (Skins, Gossip Girl, e por aí vai...). Errado. O que aparentemente parece uma história simples e lotada de clichês acaba apresentando a verdade nua e crua sobre sexo, relacionamento, drogas, religião, família e futuro em uma época da vida em que todos os problemas aparecem para dar um belo tapa na sua cara para te levar rumo à maturidade. Todo mundo que já passou por essa fase sabe o quando é difícil aceitar todas essas mudanças, e é isso que a escritora Julie Andem traz em uma das melhores séries que tive o prazer de conhecer.
                          

Um dos segredos do sucesso é o uso da divulgação da série por meio de várias plataformas: clipes avulsos são soltos durante a semana (geralmente 4 ou 5) no site oficial da série sem aviso prévio e no horário em que as cenas se passam. Na sexta-feira, o episódio todo é divulgado com cenas extras. Além disso, os personagens possuem perfis nas redes sociais para complementar a trama e gerar verossimilhança. Todas as mensagens de texto e fotos do Instagram são disponibilizadas no site da série. Tudo isso ajuda a criar um universo próprio da série e gerar ainda mais visibilidade. Até dá vontade de aprender norueguês.

                
             

Como Skam só é disponibilizado na Noruega, a tradução e divulgação fica por conta dos próprios fãs, que fazem um trabalho incrível para que os episódios cheguem no mesmo dia em vários outros países (inclusive no Brasil!) por meio de compartilhamentos na nuvem e grupos no Facebook.
                                 

A fórmula de Skam ("Vergonha" em português) combina temas muito atuais que se tornam ainda mais complexos em uma era digital onde nada mais é segredo. Além do roteiro costurado com perfeição, outro ponto que agrada muito é o visual: as cenas são construídas com calma, sem cortes abruptos que deixam o espectador sem saber o que viu, e os diálogos trazem uma dose altíssima de uma realidade que muitas vezes não queremos ver. A fotografia da série é maravilhosa, e foge completamente dos padrões norte-americanos, além de trazer uma trilha sonora de arrepiar e umigurino para levar como inspiração.






Um ponto que preciso ressaltar é: não desista nos primeiros episódios. Eles se arrastam mesmo e a série estava tentando criar um posicionamento. Vale muito a pena seguir até a segunda temporada (a partir daí não tem mais volta).



Skam já é a série mais assistida da história da Noruega, ganhou prêmios como Gullruten Award   e grandes produtoras norte-americanas e canadenses estavam de olho no sucesso absoluto que tomou conta das conversas dos noruegueses. No fim do ano passado, a empresa XIX Entertainment, de Simon Fuller, fechou um acordo com a NRK para produzir a série nos EUA com o título de "Shame". Portanto, esta quarta temporada será a última com a emissora norueguesa. Já estou sentindo saudade dos personagens que vão nos deixar daqui a algumas semanas.
               

Aproveitem e experimentem um pouco da atmosfera da série com essa Playlist do Spotify:



Gostaram? Alguém já tinha ouvido falar? Deixem nos comentários!
xoxo

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