Resenha "Ladainha"




Classificação

Informações do livro
Titulo: Ladainha
Autor/a: Bruna Beber
Editora: Record
Gênero: Literatura nacional/Poesia
Livro enviado para resenha em parceria Grupo Editorial Record.


Bruna Beber tenta retirar, ao extremo, o peso, a profundidade e a densidade da poesia A começar pelo título: tipo de canto, prece ou recitação que provém de uma dimensão religiosa, a palavra “ladainha” passou a ser usada para dizer aquilo que se repete incansavelmente apesar de já ter perdido o sentido. Ainda, ao escolher não dar títulos aos poemas, mas apenas enumerá-los com a sequência dos 32 primeiros números primos, Bruna Beber foge à simples infinitude dos números naturais, aspirando a uma infinitude ainda não de todo mapeada. O que poderia ser visto como um exercício de banalidade e humor propositalmente afirmativos é, antes de tudo, uma posição ironicamente crítica da poesia para com sua história, para com a poeta, o leitor, a tradição, o mundo, o nosso tempo e, mesmo, a vida.


Não é todo mundo que gosta de ler poemas, mas eu adoro! Uma leitura despretensiosa, leve, intensa e engraçada. E encontrei todo esse conjunto ao escolher o livro Ladainha de Bruna Beber que ainda não conhecia e adorei a forma descontraída de lidar com fatos banais e torná-los poéticos.


É original, foge dos padrões mais românticos, brincando com o dia a dia, até o estado físico pessoal. Foi interessante a leitura desse livro, conhecer um lado mais irônico dessa autora que brinca com as palavras. Vou deixar abaixo um poema que mais me chamou atenção.


Ando cansada.
Ando cansada da perna.
Ando cansada da veia.
Ando cansada do pé.

É a musculatura, a ossatura
e a fascite plantar. Metatarsalgia,
Neuroma de Morton, rígido hálux.

Ando muito devagar. É informação é
inflamação. E o que não é dedo, 
é tornozelo ou calcanhar.

Ando muito cansada dos cigarros
que eu fumo porque eles se fumam
sozinhos quanto venta.
Ando cansada de pólvora.


Bruna Beber é uma poetisa e escritora brasileira. Ela colaborou, durante os anos 2000, com diversos sites e revistas impressas de literatura, poesia, música e Internet. Fez a curadoria da exposição Blooks – Letras na rede, ao lado do poeta Omar Salomão, em setembro de 2007, sob coordenação de Heloísa Buarque de Hollanda. Foi vencedora do 2º Prêmio QUEM Acontece na categoria revelação literária de 2008.

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